Hoje, os Estados Unidos elegem seu presidente. Há poucas semanas, acompanhamos a campanha política aqui no Brasil. O que há em comum entre as eleições brasileiras e norte-americanas? As divergências entre candidatos de “direita” e de “esquerda” estão cada vez mais evidentes. Questões que no passado eram debatidas apenas nos EUA agora também permeiam os embates eleitorais em nosso país. A diferença entre os vencedores e os perdedores tem sido mínima, indicando uma clara polarização tanto entre a população brasileira quanto entre a norte-americana. Poucos candidatos conseguem ser eleitos com uma ampla margem de votos.
Mas em que os eleitores parecem concordar? O nível das campanhas tem sido baixíssimo.
Assisti a poucos debates televisivos e acompanhei algumas propagandas no rádio e na TV, mas o que vi e ouvi me deixou profundamente decepcionado. A impressão que ficou é a de que a prioridade de cada candidato era apenas atacar o adversário. O foco principal parecia ser manchar a reputação do oponente, criticando-o duramente, apontando falhas de caráter, incoerências nos discursos e comportamentos pessoais.
Nos debates, a maior parte do tempo foi dedicada a expor defeitos e limitações do outro, e não a discutir ideias e propostas inovadoras. Em alguns momentos, a violência ultrapassou todos os limites, chegando literalmente à agressão física diante das câmeras. Candidatos, de quem se espera polidez e lucidez, não hesitaram em usar palavras de baixo calão para ofender-se mutuamente. Perguntas sobre condutas inadequadas eram respondidas com mais ataques, sem qualquer tentativa de explicação ou defesa.
Esse cenário tem se repetido tanto aqui quanto nos Estados Unidos.
O que tem faltado aos candidatos? Autocrítica. Olhar mais no espelho.
Essa falha, no entanto, não se limita àqueles que aspiram a um cargo público. Temos uma facilidade muito maior para criticar os outros do que a nós mesmos. Somos rápidos em apontar o dedo acusador, mas lentos em olhar para o espelho e enxergar não apenas a nossa imagem física, mas o que está no íntimo do nosso coração.
Como o mundo seria diferente se praticássemos a autocrítica com maior frequência! Acredito que a fofoca diminuiria em todos os ambientes. Haveria mais harmonia, paz e produtividade.
Quantos conflitos na família, nas empresas, nas igrejas e em qualquer outro lugar seriam drasticamente reduzidos se apenas exercitássemos o autoexame, reconhecêssemos nossos erros e pedíssemos perdão, sem buscar “justificativas”.
Por que é tão difícil refletirmos sobre nosso comportamento e admitirmos: “eu errei”? Que herança adâmica terrível carregamos! Apontamos os pecados dos outros e até os culpamos pelos nossos próprios erros. “A mulher que tu me deste”; “foi a serpente que me enganou”. O velho discurso do Éden ainda ecoa em nossos dias.
Façamos diferente da maioria dos políticos. Sejamos diferentes. Cultivemos o difícil hábito da autocrítica. Afinal, é muito mais fácil apontar o dedo do que olhar no espelho.
Marcos Vieira Monteiro
Fortaleza, 05 de novembro de 2024
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